A segunda temporada da série estrelada por Chris Pratt mostra um personagem que intensifica sua busca por justiça enquanto luta contra os próprios demônios.
Nada como uma boa adaptação de um techno-thriller, gênero consagrado por autores como Tom Clancy, para nos deixar animados com a chegada de uma nova temporada de uma série protagonizada por um personagem tão intenso quanto James Reece, interpretado por Chris Pratt.
O personagem nasceu nas páginas dos livros de Jack Carr, ex-integrante das forças especiais da Marinha dos Estados Unidos, onde serviu por 20 anos antes de se dedicar à literatura. A experiência militar do autor ajuda a dar às suas histórias uma atmosfera de realismo nas operações e nos conflitos que envolvem seus protagonistas.
O primeiro livro, The Terminal List, foi publicado em 2018, seguido por True Believer, em 2019, e Savage Son, em 2020. A segunda temporada adapta o segundo volume da série literária. Uma eventual terceira temporada, ainda sem confirmação oficial, poderá levar às telas os acontecimentos de Savage Son, dando continuidade à trajetória de James Reece.
Na nova temporada, Reece continua foragido dos Estados Unidos, depois de se tornar um dos homens mais procurados do país. Não vou revelar o que aconteceu, pois muita gente certamente vai querer acompanhar a história depois da campanha de divulgação que a Amazon vem fazendo. O fato é que o ex-SEAL está à deriva no meio do Atlântico, atormentado por alucinações relacionadas às decisões que precisou tomar para concluir sua lista de pessoas que o traíram.
Enquanto isso, um novo grupo jihadista ataca um mercado de Natal em Londres, matando dezenas de inocentes. Seu líder, Amin Al-Nawaz (Shadi Janho), recebe ajuda de uma figura importante para a trama, que terá papel fundamental no confronto final com Reece. Amin também está ligado a Mo Farooq (Dar Salim), antigo companheiro de Reece, cuja atuação nos atentados levanta dúvidas sobre sua lealdade.
Na CIA, a ordem é localizar James Reece e recrutá-lo para perseguir Mo e o líder terrorista. Ao se entregar ao agente Freddy Strain (Gabriel Luna), Reece descobre que, se ajudar a capturar o terrorista — ou eliminá-lo, o que vier primeiro —, poderá receber o perdão presidencial. Para ele, porém, há uma questão ainda mais importante: descobrir se Mo realmente mudou de lado.
Mas vamos fazer uma pausa nessa história e acompanhar o que está acontecendo com a repórter investigativa Katie Buranek (Constance Wu). Ela descobre que o site de notícias em que trabalha está sendo vendido a Vasili Andrenov (Costa Ronin), um poderoso empresário russo-ucraniano e um dos principais articuladores de um acordo de paz entre Rússia e Ucrânia.
Quando Katie e Vasili sofrem um atentado em Bruxelas, ela recebe a visita de Raife Hastings (Tom Hopper), ex-integrante do grupo de Reece. Ele revela à jornalista que os drones utilizados nos ataques podem ter sido desviados de carregamentos destinados pelo governo americano ao Exército ucraniano.
A partir dessas duas tramas, acompanhamos uma sucessão de acontecimentos que mantém a adrenalina em alta e nos leva a buscar respostas para várias perguntas. A principal delas é: por que James Reece é uma peça tão importante nesses dois núcleos aparentemente distintos? Cabe ao criador da série, David DiGilio, conduzir essas histórias até que seus caminhos se cruzem.
Para quem assistiu à primeira temporada, lançada em 2022, a continuação não apenas amplia a conspiração, como também aumenta consideravelmente a dose de violência gráfica. Há cenas que nos fazem imaginar de onde Jack Carr tirou tanta inspiração, especialmente quando os personagens precisam baixar a guarda de seus oponentes para obter informações capazes de impedir um atentado e alterar o rumo dos acontecimentos entre as grandes potências.
Ao contrário do desfecho da primeira temporada, que encerrou o principal arco de vingança de Reece, a segunda deixa um leque maior de possibilidades para o futuro da série. A história avança para um cenário mais amplo de espionagem internacional, sem abandonar os dilemas pessoais que fazem do protagonista uma figura tão complexa.
É claro que a série também tem seus detratores. Alguns críticos consideram a produção excessivamente militarista, marcada por um patriotismo exacerbado e pela representação de James Reece como um homem cristão cuja fé faz parte de sua identidade. Chris Pratt, por sua vez, enfrenta controvérsias públicas relacionadas à sua religião e às percepções sobre suas posições políticas conservadoras.
É importante, porém, separar as críticas à produção dos questionamentos dirigidos ao ator por suas convicções pessoais. A série pode ser interpretada como uma história que valoriza determinados aspectos do imaginário conservador americano, mas isso não significa que todas as escolhas narrativas sejam necessariamente uma declaração política de seu protagonista ou de seus realizadores.
Em um ambiente cultural americano profundamente polarizado, A Lista Terminal poderia ter se tornado um alvo ainda maior de disputas ideológicas. Seu apelo junto ao público, entretanto, mostra que existe espaço para produções que apostam em uma narrativa direta, centrada na ação, no suspense e nos conflitos morais de seus personagens.
No fim das contas, A Lista Terminal entrega exatamente aquilo que promete: entretenimento intenso para quem gosta de conspirações, operações especiais e histórias em que o herói enfrenta inimigos poderosos enquanto tenta lidar com as próprias feridas. É uma série em que a ação conduz a narrativa, a violência não é disfarçada e James Reece está sempre diante de novos desafios.
E que venha logo a próxima temporada!
