O texto foi totalmente reescrito para garantir originalidade, eliminar o risco de plágio e manter um tom crítico, alinhado ao padrão da norma culta do português falado no Brasil.
O longa-metragem nacional traz uma proposta fortemente inspirada no estilo hollywoodiano, entregando esmero na direção e apuro técnico, ainda que adote a fórmula tradicional do gênero adolescente norte-americano e dialogue com diversas referências consagradas do cinema pop. A produção é uma adaptação cinematográfica do romance homônimo lançado em 2019 pela escritora Fernanda de Castro Lima.
Embora seja uma obra feita no Brasil, o filme aposta em uma identidade visual e narrativa que remete diretamente às produções juvenis dos Estados Unidos (EUA). Essa escolha se reflete tanto no design de produção quanto na ambientação urbana, apostando em clichês conhecidos para construir sua atmosfera dramática.
A trama central gira em torno de Gabi (interpretada por Any Gabrielly) e Julia (vivida por Giulia Be), amigas inseparáveis com personalidades opostas desde a infância. Gabi é tímida e reservada, enquanto Julia sobressai por seu temperamento alegre e expansivo. Esse equilíbrio é rompido de forma chocante quando Julia morre em um acidente automobilístico, deixando a melhor amiga diante de um profundo trauma emocional.
No processo de luto, a protagonista descobre dez cartas deixadas por Julia, cada uma contendo uma tarefa específica que deve ser cumprida após a sua partida. A premissa ecoa dramas românticos como P.S. Eu Te Amo, onde o recebimento de mensagens póstumas serve como catalisador para a superação da dor.
Durante essa caminhada de redescoberta, Gabi aproxima-se de Lorena (Pâmela Germano), uma nova colegial que compartilha da mesma energia contagiante de Julia. Lorena torna-se uma peça fundamental nesse processo, acompanhando a protagonista na realização dos desafios e auxiliando-a a ressignificar a dor da perda, vencer seus receios e reconstruir a própria trajetória.
Um dos pontos mais evidentes do projeto é a construção estética padronizada. Elementos como os cenários escolares, os acampamentos juvenis, a paleta de cores e o enquadramento fotográfico simulam com precisão o estilo visual dos coming-of-age norte-americanos. A trilha sonora segue a mesma orientação: mesmo as faixas cantadas em português carregam a sonoridade e o ritmo característicos do pop teen internacional.
Nesse sentido, a narrativa ressoa dinâmicas já vistas em títulos populares como As Vantagens de Ser Invisível, 10 Coisas que Eu Odeio em Você e A Culpa é das Estrelas. A semelhança com esta última obra manifesta-se inclusive no material de divulgação, cujo pôster oficial guarda forte parentesco visual com o do longa baseado na obra de John Green.
Em termos de desenvolvimento dramático, o roteiro opte por caminhos seguros e previsíveis. As viradas de trama e a resolução dos conflitos seguem estruturas bastante conhecidas do público, o que atenua a sensação de originalidade. Contudo, mesmo recorrendo a esquemas convencionais, o filme proporciona um entretenimento fluido, sustentado pela boa condução de cena e por sua qualidade técnica.
A direção assinada por Diego Freitas mostra segurança no ritmo e no cuidado estético. O cineasta, que já dirigiu títulos como O Segredo de Davi, Depois do Universo e Caramelo, reafirma sua capacidade de circular por variados formatos dentro do audiovisual brasileiro.
No elenco, Pâmela Germano destaca-se ao conferir vivacidade e leveza à personagem Lorena. Any Gabrielly entrega uma atuação consistente, beneficiada também por sua presença vocal e carreira musical. O time de atores conta ainda com Sheron Menezzes, Regiane Alves, Daniel Rangel, Michel Joelsas, Léo Jaime, Paulo Lessa, Juliano Floss, Felipe Bertuol, Arthur Khol e Carina Sacchelli, sob a produção de Verônica Stumpf.
