Crítica | Filme | Nas Ondas da Fé

Crítica | Filme | Nas Ondas da Fé

Como dizem por aí, fé, demais, não cheira bem… Aí está um tema sempre atual no Brasil. Não fosse assim, o apoio de religiosos a este ou àquele candidato não teria tanto peso no período eleitoral. Não teríamos uma bancada no Congresso ditando “bons costumes”, enquanto cai na esbórnia. Enfim, Nas Ondas da Fé é uma caricatura bem-humorada dessa realidade nacional. Confesso que nem sei se chegou ao streaming…

“O filme Nas Ondas da Fé estaria fadado a ser mais uma daquelas comédias que escolhe um tema sério para tirar sarro. Contudo, o filme dirigido por Felipe Joffily (E Aí… Comeu?) aborda o tema religião revelando um lado crítico até que bem agudo.

Não tem a profundidade de um documentário e nem é para ter. Mas resvala em pontos atuais e relevantes para a sociedade brasileira deixando sua mensagem.

O roteiro assinado por Lusa Silvestre (O Roubo da Taça), antes de mais nada, é respeitoso com a igreja neopentecostal e, ainda assim, é capaz de fazer rir.

Na onda do humor

Aliás, esse foi o tom comum adotado por equipe e elenco de Nas Ondas da Fé durante entrevista coletiva. Respeito ao tema sem abandonar o DNA de todos.

Na época da coletiva, Marcelo Adnet bombava com o seu Que Doha É Essa?, programação complementar à cobertura jornalística da Rede Globo na Copa do Mundo do Catar.

Letícia Lima percorreu outros caminhos como atriz, contudo, sempre estará ligada ao Porta dos Fundos. Lusa e Joffily também já trilharam o humor em suas carreiras.

Eles todos, somados a um elenco coadjuvante de primeira grandeza no gênero, deram uma liga bem interessante.

A história

Em Nas Ondas da Fé, conhecemos Hickson (Marcelo Adnet), um cara que se vira nos trinta para ganhar a vida. Jéssika (Letícia Lima), sua esposa, o convence a pedir emprego para o pastor da comunidade que frequentam. Usando seu talento como técnico de informática, Hickson chega até uma rádio evangélica e é aí que sua vida muda.

Ele cria a persona do Pastor Hickson e se torna muito popular e rico. Por causa de sua popularidade, acabe despertando inveja nos pastores que já atuam no pedaço, trazendo à tona uma trama onde a religião será deixada de lado em nome das fraquezas humanas.

Dose de drama

Como vemos, Nas Ondas da Fé tem uma boa dose de drama em sua história, desenvolvida a partir de argumento e com a colaboração de Adnet. Segundo ele mesmo, foi o trabalho que mais exigiu interpretação dele.

O processo de criação de Nas Ondas da Fé foi iniciado em rabiscos que Adnet trocou com o produtor Augusto Casé em 2014.

Oito anos depois e por causa de uma pandemia, o filme correu o risco de envelhecer em sua intenção primária: o humor. Contudo, de acordo com Adnet, nunca esteve tão atual: “Quem sabe no próximo filme meu personagem não vira governador?”, anteviu.

O filme estreia em 12 de janeiro em circuito nacional distribuído pela Imagem Filmes.”

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