Crítica | Filme | Força Bruta: Sem Saída

Crítica | Filme | Força Bruta: Sem Saída

Muita pouca ação é feita hoje em dia de forma despretensiosa. Em dias em que a verossimilhança e realismo é sinônimo de qualidade, uma obra que enfrenta constantemente tal estigma recai de forma incrível.

Força Bruta: Sem Saída é um longa de k-action, gênero de filmes de ação sul-coreanos, que se joga em direção a um lugar jocoso, onde o real não tem muita importância, mas, sim, o hiperbólico e o estranho, junto da óbvia extravagância de tal cultura.

Com uma trama simples e objetivos extremamente bem definidos e precisos, a obra aborda não como uma história sobre polícia coreana necessita sempre de extrema seriedade, mas, o oposto, com um humor leve, cenas de ação com excessivos e dinâmicos cortes junto de um roteiro que não visa o auge da Sétima Arte, entretanto, o divertimento através do artifício cênico mais ativo que tal gênero pode chegar a alcançar.

Tal longa acaba por ser uma espécie de ode, até mesmo de forma inconsciente, à Buster Keaton ou Charlie Chaplin. Por sua forma ser mais livre, junto de sua narrativa, um espaço para cenografias e atuações mais despojadas com uma série de gags (piadas rápidas e trocadilhos) gera muito mais sentimentos que algo proposto a certa sobriedade e mal feito, justamente remetendo a tais clássicos.

Ao não ser o ápice do cinema de gênero é aqui que a obra ganha força, ao se aceitar por completo em meio a sua comédia e tons frenéticos que cativam pela originalidade, criatividade e extrema simplicidade, fazendo algo dinâmico, como ação tende a ser, mas não só se deixar a levar por esse elemento.

Assim, ao final, o filme pode até mesmo a levar a catarse e um mix de emoções, com seu carisma próprio e personagens excêntricos, junto com todas questões destacadas e emancipada, que fazem laços estreitos entre audiência e protagonistas de forma quase instantânea. Em suma, Força Bruta: Sem Saída é o padrão, mas um padrão feito com gosto pelo simples, que não se ousa e nem se propõe a isso, mas se estimula a ser criativo com suas questões de gênero. Estreia em 10/10 distribuído pela Sato Company.

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