Crítica | Filme | Mãe e Filho

Crítica | Filme | Mãe e Filho

O retorno de Saeed Roustaee ao circuito internacional não é apenas um evento cinematográfico, mas um ato de resistência. Após enfrentar problemas severos com o governo iraniano, o diretor de 36 anos entrega em Mãe e Filho (que estreia no Brasil em 30 de abril, distribuído pela Retrato Filmes) uma obra que pulsa com uma urgência rara. O filme mergulha nas fissuras de uma família comum para revelar as dores profundas de uma sociedade em conflito consigo mesma.

No centro deste drama está Mahnaz, interpretada por Parinaz Izadyar. Mahnaz é uma enfermeira viúva que tenta manter a sanidade enquanto lida com um filho rebelde e um relacionamento amoroso mantido sob as sombras. A química de Izadyar com Payman Maadi (vencedor do Urso de Prata por Separação) é palpável e dolorosa, elevando o roteiro de Roustaee para além do melodrama doméstico. É uma jornada de autodescoberta que ganha contornos trágicos após um acidente que testa os limites morais da protagonista.

Visualmente, Roustaee opta por uma câmera próxima, quase intrusiva, que captura a exaustão no rosto de Mahnaz e a claustrofobia dos ambientes urbanos de Teerã. A montagem é ágil, fazendo com que os problemas pessoais da enfermeira se acumulem de forma sufocante para o espectador. É um cinema que lembra os melhores momentos de Asghar Farhadi, mas com uma crueza e um pessimismo que são marcas registradas de Roustaee.

No fim das contas, Mãe e Filho é um estudo de personagem fascinante e um lembrete do poder do cinema em dar voz ao que o silêncio tenta esconder. O longa é um convite à empatia e uma prova de que a resiliência humana é, muitas vezes, a única ferramenta de sobrevivência em um destino traçado por escolhas difíceis.

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