Crítica | Série | Mulheres Imperfeitas

Crítica | Série | Mulheres Imperfeitas

O Apple TV+, pelo menos para mim, se mantém como o streaming com maior equilíbrio na produção de conteúdos, sempre procurando entregar séries e filmes tendendo para o “menos comercial”.

Isso não significa que o canal só disponibilize conteúdo “cabeção”. Acho que a proeza é lançar um longa como F1 (que teve passagem pelo cinema) ou Entre Montanhas (direto pro streaming), ao mesmo tempo em que dispõe de séries longevas como For All Mankind ou minisséries fechadas, como Iluminadas.

Também não significa que esses conteúdos vão agradar a todos. E isso é perfeito porque o que importa é a diversidade. O público é vasto, tem gostos diferentes e ainda está muito sujeito à trend. Beleza, faz parte do jogo.

Por isso que o suspense psicológico Mulheres Imperfeitas (Imperfect Women), baseado no romance de Araminta Hall, se tornou tão interessante. A série limitada é sofisticada e não se contenta em ser apenas um “quem matou?”, mas sim um exame minucioso e doloroso sobre as concessões que fazemos ao longo da vida e como elas podem, eventualmente, destruir nossas relações mais íntimas.

Esse pode ser o mote que vai vender Mulheres Imperfeitas para o espectador. Eu já prefiro focar no trabalho de destaque (mais um, aliás!) de Elisabeth Moss (The Handmaid’s Tale). Não apenas como atriz, mas como realizadora. Ela tem escolhido a dedo seus projetos e enveredou para a produção e eventualmente direção com precisão, sabendo tirar o melhor de histórias que até podem soar banais.

Claro, sua atuação, ao lado de Kerry Washington (Scandal), majoritariamente, dão boa parte da sustentação da trama de Mulheres Imperfeitas, ainda apoiadas Kate Mara, Joel Kinnaman e Corey Stoll. Seus trabalhos criam um mosaico de personagens cujas vidas parecem perfeitas na superfície, mas ocultam traições e traumas profundos.

É uma obra que explora a culpa e a retribuição de forma não convencional, fugindo dos clichês do gênero para focar no peso emocional das mentiras contadas por décadas. A tensão é constante, transformando o luto das protagonistas em uma jornada de paranoia e descoberta.

A série rapidamente revela que uma mulher, dentre três amigas inseparáveis, é assassinada e a polícia não tem pistas sobre o autor. Usando um flashback aqui e outro ali é possível, aos poucos, começar a entender a relação das três, seus segredos e suas mentiras, e o que as conduziu, cada uma em sua própria trilha, até o evento-motriz da trama.

Mais uma vez, não importa o destino, mas a jornada que leva até ele. E o conjunto de habilidades envolvidas no projeto cumpre o propósito, ainda que entregue alguns clichês, como soluções rápidas e o clássico “aquilo que ninguém viu” para desatas alguns nós;

Não desanime com o ritmo. Invista sua melhor energia para conferir Mulheres Imperfeitas. Arecompensa está na profundidade psicológica e nas atuações do trio principal. Acabou em 29/4, ou seja, ainda está fresquinha.

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