Parthenope – Os Amores de Nápoles é um drama épico do diretor e roteirista italiano Paolo Sorrentino, que estreou no Festival de Cannes em 2024. Ele é conhecido por outros longas como A Grande Beleza (La Grande Bellezza, 2013), vencedor do Oscar na categoria de melhor filme de língua não inglesa, e A Graça (La Grazia, 2026).
Com todo esse currículo, é de se esperar que o filme seja maravilhoso, envolvente e com um bom roteiro. Contudo, é característico do diretor explorar a estética do excesso e da beleza aliadas a uma melancolia e vazio existencial. Todas essas marcas estão bem presentes na concepção desse longa.
O filme parece mais ser uma contemplação da vida e história da personagem principal, Parthenope (Celeste Dalla Porta, Red Mirror), do que ter algo específico para nos contar. As primeiras cenas são conceituais, não tendo muito tempo de tela e nem fazendo muito sentido entre elas, o que torna tudo confuso e tedioso.
Porém, esse longa é de uma beleza surreal. A fotografia parece ter saído diretamente de um editorial e a responsável por isso é Daria D’Antonio, diretora de fotografia que atuou na produção do filme. O maior problema dessa obra, no entanto, é que a todo momento você fica esperando uma reviravolta ou um grande acontecimento que nunca acontece. Em certa altura, pela quantidade de vezes em que algum personagem aparece fumando, começamos a imaginar que, talvez, esse grande plot seja todos morrerem de câncer.
Na verdade, a história segue explorando a juventude e os amores de Parthenope, que encanta a todo tipo de homem em Nápoles, mesmo que não tenha nem trocado duas palavras com eles antes.
O roteiro faz bastante isso: forçar de todas as formas possíveis e exageradas a beleza exterior da personagem. Parece que, durante o seu desenvolvimento, simplesmente assumiram que a audiência era cega ou incapaz de enxergar beleza e, por isso, tal fato é continuamente lembrado.
A sensualidade também é outro ponto que é demasiadamente explorado, mas, novamente, não é natural e sutil. Chega a ser tão maçante que, em determinados momentos, minha torcida era para que o próximo figurino não fosse um bíquini, uma toalha, um lençol ou algo do tipo.
Se é que podemos dizer que há um plot nesse longa, seria o fato de que Parthenope abandona a sua vida de muitos amores e passa a se dedicar a transpassar a sua beleza exterior através da educação. Ela prova para si mesma que pode ir além de sua aparência. Em outras palavras, ela cresce, amadurece e entende que viver não é sobre ser objeto de desejo de homens ricos e poderosos.
Parthenope – Os Amores de Nápoles estreou dia 7/5 no streaming Filmelier+.
