Começar uma crítica dizendo que um filme é ruim deve abreviar o interesse do leitor sobre Bola Pra Cima (Balls Up), longa disponível no Prime. Mas me parece justo entregar o veredito logo de cara para poupar o tempo de todos.
Claro, nada impede que alguém queira conferi-lo mesmo assim, para tirar a cisma. Já que em novos tempos de “falem mal, mas falem de mim”, até o marketing negativo funciona para as distribuidoras de filmes.
Pior é que Bola Pra Cima (nome até feliz para uma história infeliz!) tem certo pedigree. É dirigido por Peter Farrelly, capaz de realizar coisas bem sérias como Green Book: 0 Guia (2018) e mesmo bem ácidas e satíricas, como Eu, Eu Mesmo & Irene (2000) e O Amor É Cego (2001). Sem esquecer Debi e Loide (1994). Tem Mark Wahlberg (Ted), flertando com Paul Walter Hauser (Richard Jewell) no gênero de buddy comedy, extraindo humor das situações mais improváveis.
A dupla trabalha para uma empresa americana de preservativos que quer ganhar a conta do ministério do turismo do governo brasileiro por ocasião da Copa do Mundo de 2025 (shit!). Eles acabam perdendo o job, mas não antes do ministro do turismo (Benjamin Bratt) descolar transporte, acomodações e credenciais VIPs para eles acompanharem o torneio no Brasil.
Durante a final, Brasil contra Argentina, eles se tornam personas non grata no país por interferirem diretamente no resultado da partida. Até parece bacana. Só que não!
Acho que até propositalmente, o texto assinado Paul Wernick (Deadpool) e Rhett Reese (Zumbilândia) comete erros grosseiros, por exemplo, misturando espanhol com português o tempo todo. Até o ministro tem sotaque espanhol e sobra inclusive para “el presidente”. Talvez tudo isso faça parte do humor ácido de Farrelly… Seria bom perguntar pra ele.
No final, Bola Pra Cima lembra de 007 Conta o Foguete da Morte, Bem-vindo à Selva (com The Rock) e outros tantos filmes que simplesmente criam um Brazil (com “z” mesmo!) só pra eles, sem um mínimo de acuidade. Se pararmos para pensar, talvez a culpa seja até mesmo daqueles que abraçam o Tio Sam como se fosse parente há algum tempo. Em vez de abraçar, de repente, o cinema nacional. É para refletir.
