Ao terminar de assistir à Apresentação Especial da Marvel Television, O Justiceiro: Uma Última Morte, tive a impressão de que finalmente a Marvel acertou a mão no personagem. Não que o que vimos antes fosse apenas uma versão light de Frank Castle, mas tive a sensação de que temos em tela um heroi à altura do que tivemos nos quadrinhos.
Essa descoincidência tem me incomodado ao longo da carreira da Marvel como um todo. Independente do estúdio que lançou o filme de heroi (Fox, Sony, Universal, etc.).
Por exemplo, confesso que – apesar de gostar de um ou outro longa dos X-Men – no passado me decepcionei com o arrefecimento da têmpera do Wolverine. Nos longas, o personagem só exibe os músculos e grita o tempo todo. Nos quadrinhos, ele costumava rasgar todo mundo, para desespero do Ciclope.
Mas, enfim, é o que temos.
Voltando para Uma Última Morte (The Punisher: One Last Kill), que chegou ao Disney+ em 12/5, o especial adotou o formato de média-metragem focado em uma narrativa contida e beeemmm adulta. Boa notícia para quem achava que o estúdio do Mickey iria transformar todos os personagens mais violentos da Marvel em escoteiros.
Nope! Para Frank Castle, bandido bom é bandido morto! Ou ao menos imóvel do pescoço pra baixo. Daí a classificação indicativa alta…
A direção desse longa coube a Reinaldo Marcus Green (King Richard: Criando Campeãs) e a batuta dele parece ter procurado certa distância das tramas interconectadas do universo Marvel, compartilhadas até mais recentemente. O que o espectador recebe é praticamente um estudo sobre um personagem melancólico e brutal, reflexo do esgotamento mental de Frank Castle.
Claro que Jon Bernthal (Ford vs Ferrari), também co-roteirista e um dos produtores executivos, entregou um Justiceiro mais atormentado do que nunca. Já que é pra fazer, faça bem feito. E com certa liberdade sobre o processo criativo, a tarefa fica mais fácil.
Assim, não espere encontrar as barrigas comuns em séries de streaming da Marvel. Mesmo porque o espectador pisca e o especial já acaba, deixando no ar muita expectativa do que pode vir. Espere encontrar alguns rostos conhecidos dentre o elenco escalado.
Uma fotografia e cenários caprichados dão o peso cinematográfico necessário à produção, remetendo aos thrillers policiais das décadas de 70 e 80.
No fim das contas, O Justiceiro: Uma Última Morte é entretenimento puro, que respeita o legado do vigilante. Fica a pergunta: trata-se de uma reintrodução poderosa ou uma despedida digna?
