O sucesso do gênero true crime (ou crime real) na Netflix não foi uma tendência passageira, acabou garantindo à plataforma uma fatia generosa de audiência. Realmente, o público parece muito e morbidamente interessado em saber riscos detalhes sobre a “carreira” de matadores famosos, como Jeffrey Dahmer, Ted Bundy ou os irmãos Menendez.
E não somente os assassinos enlatados que ganharam atenção. Documentários como O Caso Sophie ou A Vítima Invisível: O Caso Eliza Samudio também foram bem no streaming, inspirando outras plataformas a gerar conteúdos documentais.
Como se não bastasse, obras em tom ficcional também foram lançadas nos últimos anos, deixando de lado as cores reais para carregar no magenta. Caso de Dahmer: Um Canibal Americano, que já no título diz a que veio, se por eventualidade alguém desconhecesse o serial killer em questão.
Sim, o interesse humano por justiça, psicologia criminal e mistérios não resolvidos gera um engajamento massivo e prolongado. No entanto, a polêmica ajuda mais, como podemos conferir em Os Piores X: Namorando o Assassino Deadpool (Worst Ex Ever: Dating the Deadpool Killer), série documental em sua segunda temporada (de um total de 4), que estreou em 6/5.
E já no título temos o highlight: Assassino Deadpool! Porque, quis o destino, que o matador especialmente convidado fosse batizado Wade Stephen Wilson, alusão proposital ou não ao personagem da Marvel.
E que personagem esse Wade Wilson da vida real! Seduzia várias mulheres (majoritariamente, mas não exclusivamente) ao mesmo tempo para, inicialmente, levar alguma vantagem financeira. Caso fosse contrariado, as agredia e as ameaçava de morte. Meio que recorrentemente.
Até que uma delas decidiu contra-atacar e se mobilizou para desmascará-lo, mesmo sem apoio da polícia local. Baita história! Imagino que vá virar longa em algum momento…
O documentário utiliza relatos de ex-parceiras, depoimentos de autoridades e imagens de arquivo para traçar o perfil de um manipulador perigoso. A narrativa detalha como o comportamento abusivo e os sinais de alerta escalonaram até culminar em uma série de assassinatos brutais na Flórida, investigando não apenas os crimes, mas o impacto psicológico nas mulheres que conseguiram sobreviver ao convívio com ele.
Tudo dentro da normalidade do gênero true crime.
O que chamou minha atenção, contudo, foi o nome de Jason Blum nos créditos. Sim, o fundador da Blumhouse (de O Telefone Preto, por exemplo), via Blumhouse Television, investiu em produções como Os Piores Ex e Os Piores Vizinhos do Mundo (Worst Roommate Ever) para meio que revitalizar essa linha no streaming.
Com edição ágil, reconstituição animada e uma dinâmica que fica entre o estilo clássico do gênero e o padrão de produção da Blumhouse. Ou seja, orçamento reduzido, criatividade no storytelling e qualidade técnica, garantindo sucesso comercial.
Do ponto de vista mais técnico ainda, diria que essas histórias são bem universais, facilmente traduzíveis para diferentes culturas e idiomas. Têm um potencial de retenção incrível e são perfeitas para o modelo de maratona.
O que poderia dar errado?
Em tempo, o julgamento de Wade ganhou repercussão na mídia americana principalmente porque milhares de mulheres se mobilizaram entrando em contato com Wade (por telefone ou texto) para demonstrar alguma solidariedade. A série avança até sua condenação à morte, mas não menciona que ele ainda espera pela execução, ostentando hoje uma imagem bem diferente daquela que estampou o noticário.
