Tá procurando um filme bacaninha, que não vai fazer você pensar muito, mas talvez se emocionar um pouco? Que tal Criaturas Extraordinariamente Brilhantes, que estreou recentemente na Netflix. Trata-se de um longa gostoso de se ver, sem tramas mirabolantes, efeitos estrambóticos ou reflexão posterior de tirar o sono.
Por exemplo, perfeito para um dia chuvoso e um balde de pipoca. Pelo menos pra mim funcionou assim…
Criaturas Extraordinariamente Brilhantes (Remarkably Bright Creatures) é baseado no livro de Shelby Van Pelt e puxa seu tom para uma comédia levemente dramática, que pode tocar a alma e reconfortar alguns espectadores.
Esse estilo de feel-good movie cai como uma luva para o talento de Sally Field, que já foi a Noviça Voadora (1967) e a mãe do Forrest Gump (1994), mas coleciona papéis marcantes na cinematografia americana. Pelo menos para aqueles que não consomem somente o “aqui e agora”.
Ao seu lado estão Lewis Pullman (Thunderbolts), reforçado por papéis menores mas relevantes, que ficaram nas mãos de atores e atrizes como Joan Chen (O Último Imperador), Kathy Baker (Edward Mãos de Tesoura), Colm Meaney (Star Trek: Deep Space Nine) e Sofia Black-D’Elia (Gossip Girl).
O requinte talvez seja a dublagem original em inglês do polvo Marcellus, assinada por Alfred Molina (Homem-Aranha 2). Sally é Tova Sullivan, uma viúva solitária que preenche o vazio de sua vida faxinando o aquário da cidade. Onde desenvolve amizade com o polvo Marcellus, uma vez que evita qualquer aprofundamento de relação com os humanos.
A chegada do jovem Cameron (Pullman) ao local pode ser o estímulo que Tova precisava para rever sua vida e recalcular a rota para o futuro. Ele procura seu pai, que abandonou sua mãe e ele há muito tempo, tornando-o um andarilho que não finca raízes em lugar algum.
O curioso da história realmente são as observações feitas pelo polvo gigante do Pacífico para o espectador, pontuações bem-humoradas e repletas de significância para quem testemunha o amadurecimento da relação entre a faxineira e o andarilho. Molina expõe em sua narração uma personalidade perspicaz, ranzinza e carismática.
Esses elementos conseguiram aparentemente preservar o tom agridoce e o realismo mágico da obra de Shelby Van Pelt, lançada originalmente em 2022 e que se tornou um fenômeno de vendas global. Afinal, para algumas pessoas, abordar temas complexos como envelhecimento, segredos de família, perdas e conexões inesperadas, pode soar excessivamente melodramático. E afugentá-las. Mas acho que não é o caso.
Apoiado por um visual acolhedor, apesar das baixas temperaturas e chuvas, a ambientação nessa cidade costeira do Noroeste americano criou uma atmosfera quente, por incrível que pareça.
Ainda que a trama possa se revelar previsível para olhares mais calejados, creio que Criaturas Extraordinariamente Brilhantes não vá ferir a inteligência de ninguém. É de bom gosto e de bom tamanho para aquecer a alma.
