Crítica | Filme | O Mandaloriano e Grogu

Crítica | Filme | O Mandaloriano e Grogu

Quando o caçador de recompensas mandaloriano Boba Fett apareceu lá atrás em O Império Contra-Ataca (1980), o plano era apenas incluir mais um malfeitor no universo de Star Wars. Mas, o personagem com o rosto oculto por um capacete e pouquíssimo tempo em cena se tornou um favorito do público e viu sua fama crescer exponencialmente. Assim, nada mais normal que ele acabasse ganhando espaço e gerando uma linha narrativa sobre os mandalorianos, um deles em especial, quando a criação de George Lucas passou a ganhar extensões, prequels, sequências, séries derivadas e tudo o mais que faça tilintar o caixa.  

E assim chegamos a O Mandaloriano e Grogu, primeiro longa do universo Star Wars em sete anos e que traz os elementos básicos da saga inspirada por Flash Gordon, faroestes, histórias de princesas em perigo e filmes de samurai. O bastante para fazer o público sentir aquele retorno ao lar de quem viu os filmes originais, as sequências, odiou Jar Jar Binks, e assistiu as três temporadas de The Mandalorian, série que estreou em 2019 com a história de um novo mercenário. Interpretado por Pedro Pascal, Din Djarin é inicialmente contratado para recuperar a criança Grogu, criatura da mesma espécie do reverenciado mestre Yoda, mas acaba se tornando o protetor do pequeno ser verde.

O roteiro de Jon Fravreau, Dave Filoni e Noah Kloor, contudo, tem o cuidado de não deixar de fora quem nada sabe da série sobre o mandaloriano. A história se desdobra sem problemas para os neófitos com o mercenário e Grogu, já dono dos poderes de um Jedi, trabalhando para os mocinhos da Nova República na caça a agentes do Império espalhados pela galáxia e que planejam retomar o controle perdido. Tudo é devidamente explicado para não atrapalhar a diversão.

O resultado é uma sequência de enfrentamentos que não esconde a estrutura de série, como se o longa unisse três ou quatro episódios da série do mandaloriano que deveriam ser exibidos um a um. É luta atrás de luta, mostrando como o mandaloriano é bem treinado e cheio de recursos e repetindo um tema caro ao universo Star Wars, o valor das pequenas criaturas em momentos de crise. Se nos filmes originais contamos com os Ewoks e sua aparência de ursinhos, aqui temos Grogu e os anzellanos, criaturas famosas por seu conhecimento de mecânica.

Visualmente, o longa é uma festa de naves e planetas bem produzidos, como seria de se esperar de uma produção de Star Wars. A trilha sonora bate o constante elemento de urgência, e não faltam androides e criaturas dos mais diversos naipes, incluindo uma dupla de gêmeos Hutts. Já o verdinho Grogu está por demais marionete, mais próximo de um atrativo para crianças do que do mestre jedi que o inspirou. E não falta, é claro, um momento em que o mandaloriano é obrigado a tirar o capacete – um tabu com grave penalidades. Afinal, qual seria o objetivo de ter Pedro Pascal se ele jamais mostrasse o rosto.

O resultado é divertido, nostálgico, cheio de aventura, embora pudéssemos ter um pouco menos de brigas e um pouco mais de enredo, e, considerando tudo o que o universo Star Wars já rendeu – o que inclui coisas que fazemos de conta que não existiram – um dos bons capítulos. Estreia em 21/5 distribuído pela Disney.

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