Fruto da mente criativa de Ale McHaddo – que assume tanto a direção quanto o roteiro -, a animação brasileira Cordélicos – A Origem do Cabra da Peste, distribída pela Retrato Filmes, chega aos cinemas em 4/6. O projeto é uma mistura de elementos clássicos da cultura nordestina com o dinamismo e as possibilidades ilimitadas da ficção científica e das viagens temporais.
A trama acompanha um grupo de aventureiros do sertão brasileiro que viaja 2 mil anos para o futuro, onde se mete em uma enrascada sem precedentes ao conseguir roubar os planos de uma misteriosa máquina do tempo. Perseguidos de perto pelo temido vilão Cabra da Peste, a fuga sai do controle e o grupo acaba se separando, com integrantes espalhados entre o passado e o futuro. A partir daí, inicia-se uma corrida contra as eras.
O destaque inicial da produção reside em seu elenco de dublagem, que reúne nomes consagrados da comédia e da dramaturgia brasileira. Bruno Garcia (O Auto da Compadecida) empresta sua imponência ao Capitão Rocha, enquanto Tadeu Mello (A Era do Gelo) traz seu tempo de comédia perfeito para o personagem Sid. O núcleo principal ganha ainda traz Raissa Xavier como Bonita e Carol Góes no papel de Rimbi.
Do lado dos antagonistas e coadjuvantes, Marcelo Mansfield dá o tom caricato e ameaçador na medida certa para o Cabra da Peste, e Felipe Mazzoni realiza um trabalho versátil ao assumir as vozes dos personagens Tatux e Corisco. O toque final de puro suco de brasilidade fica por conta da participação especial do cantor Falcão, que interpreta o “Falcão Espacial”, adicionando uma camada extra do humor brega e satírico que o consagrou.
O roteiro de Ale McHaddo acerta ao utilizar a estética do cordel e o imaginário do cangaço não como um mero pano de fundo histórico, mas como uma engrenagem ativa para a ficção científica. Ver o sertão dialogar com conceitos de paradoxos temporais e tecnologia retrofuturista gera um contraste visual e narrativo riquíssimo. Com piadas genuinamente brasileiras e referências à nossa própria cultura popular.
Visualmente, Cordélicos se apoia em uma identidade forte, que homenageia as xilogravuras tradicionais ao mesmo tempo em que entrega a fluidez necessária para as cenas de ação que a trama exige. Aqui, o cangaço encontra o cyberpunk e a cultura pop.
