Crítica | Filme | O Bolo do Presidente

Crítica | Filme | O Bolo do Presidente

O Bolo do Presidente é um drama poderoso e profundamente humano que representa o Iraque na disputa por uma vaga no Oscar 2026 na categoria de Melhor Filme Internacional. Ambientado nos anos 1990, durante os bombardeios da Guerra do Iraque, o longa retrata a pobreza, a luta pela sobrevivência e os impactos sociais de um país marcado pelo conflito.

Na trama, a jovem Lamia (Banin Ahmad Nayef) recebe uma missão inesperada após um sorteio realizado em sua escola: preparar um bolo em homenagem a Saddam Hussein. Sob a pressão de um professor rígido ligado aos militares, a menina parte em busca dos ingredientes ao lado de seu colega Saeed (Sajad Mohamad Qasem) e de seu galo de estimação.

Sem dinheiro e enfrentando inúmeras dificuldades, os dois percorrem caminhos perigosos, tentando vender objetos pessoais para conseguir os itens necessários. A jornada se transforma em um retrato sensível sobre infância em tempos de guerra, expondo a desigualdade, o medo e as consequências humanas de um regime autoritário.

Com direção segura, fotografia impactante e uma direção de arte minuciosa, o filme se destaca também pelo roteiro e pela montagem, que constroem uma atmosfera sufocante e emocionalmente intensa. A atuação de Banin Ahmad Nayef chama atenção pela naturalidade e força dramática, conduzindo o público por uma narrativa carregada de tensão e empatia.

Além do contexto político e social, O Bolo do Presidente faz uma crítica contundente aos efeitos da guerra sobre a população civil, especialmente sobre as crianças. O longa provoca desconforto ao mesmo tempo em que desperta torcida e compaixão pelos protagonistas.

Coprodução entre Iraque, Estados Unidos e Catar, o filme conta com produção executiva de Chris Columbus e Eric Roth. Estreia em 4/6 distribuído pela Kajá Filmes.

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