Crítica | Filme | Cinco da Tarde

Crítica | Filme | Cinco da Tarde

Com estreia nacional agendada para 18/9, distribuído pela 3 Tabela Filmes, o longa brasileiro Cinco da Tarde é o retorno do diretor e roteirista Eduardo Nunes (Sudoeste) aos cinemas.

A trama acompanha Anabel (Bárbara Luz, de Ainda Estou Aqui), uma jovem de 17 anos que tenta processar o luto pela morte recente de sua avó. Em meio ao vazio deixado pela perda, ela começa a se aproximar de Meiko (a debutante Sharon Cho), sua vizinha extremamente tímida. O relacionamento que começa em casual acaba se transformando em uma conexão profunda e inesperada. As duas passam a compartilhar dores silenciosas, sentimentos de solidão e a busca por pertencimento. No entanto, ao retornar ao apartamento da avó, Anabel se depara com uma estranha presença que altera sua percepção sobre o momento que está vivendo.

Um destaque a ser apontado em Cinco da Tarde poderia ser a estética desenvolvida por Eduardo Nunes, que prioriza o tempo psicológico, o silêncio e as texturas em detrimento de uma narrativa puramente comercial. Afinal, abordar um tema como o luto na adolescência está longe de ser algo raso.

Contudo, não se vê em tela um melodrama fácil, de obviedades escancaradas. Claro, o up seria a inclusão de um elemento sutilmente fantástico no terceiro ato, que pode ser lido como uma metáfora sobre os fantasmas emocionais que carregamos.

Como todo cinema autoral, o ritmo de Cinco da Tarde é a ferramenta que permite ao espectador absorver a densidade psicológica das personagens. Ao mesmo tempo que pode afastar o público que busca apenas entretenimento.

Deixe uma resposta