Crítica 2 | Filme | Toy Story 5

Crítica 2 | Filme | Toy Story 5

É reconfortante perceber que alguns valores familiares ainda têm espaço no cinema, especialmente dentro da Disney, que nos últimos anos parecia ter esquecido a base do trabalho de Walt Disney, voltado para o entretenimento de toda a família. Fiascos como Mundo Estranho e Lightyear, lançados em 2022, mostraram que, mesmo quando a melhor tecnologia de animação é utilizada com roteiros confusos, ninguém vai levar a família para assistir a um desenho animado com uma história obscura.

Quando um filme como Toy Story 5 chega ao seu quinto capítulo, tudo o que se espera é que ele mantenha a qualidade dos anteriores: uma história envolvente e diferente, como o primeiro filme de 1995, criado por John Lasseter, capaz de despertar emoções e lembranças de uma infância divertida. A resposta é simples: o filme tem tudo isso e muito mais.

De forma clara, Toy Story 5 entra na atual discussão sobre como dispositivos eletrônicos, tablets e smartphones estão substituindo as relações lúdicas da infância. Bonnie, a garota que recebeu os brinquedos de Andy no emocionante Toy Story 3, enfrenta sua timidez ao tentar se relacionar com outras crianças da vizinhança. Mesmo mantendo dentro de casa sua imaginação fértil para brincar com os bonecos, seus pais a presenteiam com um Lilypad, um tablet que permite conhecer outras crianças através de chats. É aí que a história começa.

Bonnie fica chateada quando as novas “amigas” começam a implicar com o fato de ela ainda gostar de brinquedos, em vez de abraçar totalmente o entretenimento tecnológico do Lilypad. Por sua vez, os brinquedos liderados pela vaqueira Jessie, dublada por Joan Cusack, temem que a garota deixe de brincar com eles. Afinal, a tecnologia é sedutora, criando o ambiente perfeito para que a criança se prenda aos aplicativos e abandone os brinquedos lúdicos com os quais cresceu.

A ideia é muito clara na história criada por MacKenna Harris e Andrew Stanton, que também comandam Toy Story 5. Mesmo sabendo que é quase impossível combater a tecnologia que prende cada vez mais crianças a smartphones e conteúdos digitais, ainda existe espaço para a imaginação infantil. Para chegar a esse resultado, todos os personagens se mobilizam em uma fascinante saga que começa com o carregamento de bonecos do Buzz “acordando” após o contêiner que os transportava – provavelmente vindo de alguma fábrica chinesa – chegar a uma pequena ilha do Pacífico.

Esse grupo paralelo à história principal mostra Jessie e seu potro Bala no Alvo tentando conectar Bonnie a outra garota criativa chamada Blaze, que mora em uma casa no campo e foi a primeira dona de Jessie. Curiosamente, Buzz Lightyear, dublado por Tim Allen, e Woody, dublado por Tom Hanks, aparecem como coadjuvantes neste filme, claramente pensado para mostrar a liderança de Jessie e a descoberta de uma futura grande amizade entre Bonnie e Blaze.

A construção de Jessie reforça um modelo clássico de heroísmo emocional da Disney, valorizando liderança, empatia e senso de pertencimento familiar. Sem transformar a personagem em uma figura revolucionária, o roteiro entende que sua força está na capacidade de proteger, acolher e inspirar os outros brinquedos em um momento de transformação na infância de Bonnie.

Se você se emocionou com o final de Toy Story 3, quando Andy se despede de seus brinquedos prediletos, prepare-se para reviver essas emoções sem exageros. A experiência de MacKenna Harris e Andrew Stanton com as animações da Pixar faz com que o filme, além de apresentar sacadas brilhantes sobre a relação entre tecnologia e família, construa também uma convivência saudável entre dispositivos digitais e brinquedos, sem grandes discursos filosóficos ou exageros sobre a jornada de Jessie como nova xerife do grupo.

Não pense que a discussão sobre a tecnologia como o novo “amigo imaginário” de muitas crianças esteja ausente de Toy Story 5. O filme deixa clara a preocupação em preservar o valor da imaginação infantil em um mundo cada vez mais digitalizado. Ainda assim, a produção evita radicalismos e prefere mostrar que tecnologia e criatividade podem coexistir quando há equilíbrio dentro do ambiente familiar.

Sem radicalismos, Toy Story 5 abre novamente as portas do cinema para que toda a família possa assistir junta a uma divertida aventura cheia de emoções genuínas, com uma história que certamente levará muitos pais a refletirem sobre a relação dos filhos com a tecnologia. O filme continua sendo uma fantástica fantasia, onde a imaginação pode nos levar a conhecer novos universos, como na clássica canção “When You Wish Upon a Star”, do filme Pinóquio, um dos grandes momentos da animação da Disney.

Toy Story 5 entra em cartaz no dia 17 de junho.

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