Crítica | Série | O Segredo de Widow's Bay

Crítica | Série | O Segredo de Widow’s Bay

É com um pouco de dor no coração que escrevo essa crítica sobre O Segredo de Widow’s Bay (Widow’s Bay), série da Apple TV+ que se apresenta como mistério e suspense psicológico. A razão básica é que aprendi a admirar o trabalho do ator galês Matthew Rhys, o mesmo de The Americans e de O Monstro em Mim. Até parece que ele faz o mesmo de sempre, mas a verdade é que seu talento está nas sutilezas.

E o começo de O Segredo de Widow’s Bay foi promissor, dando pinta de que teríamos uma história no melhor estilo de Stephen King. Com leves sustos, muito suspense e humor ácido. Ouvi até mesmo o próprio Rhys contando que a série recebeu, na opinião dele, forte influência de Tubarão (1975). Faz sentido, afinal a Widow’s Bay, propriamente dita, é uma pequena e simplória ilha que tenta viver do turismo sem ter, exatamente, grandes atrações.

É o prefeito Tom Loftis (Rhys) que sonha em fazer do local uma nova Martha’s Vineyard, se entregando de corpo e alma (ou quase isso!) no projeto. Mas o realismo deste rei vai abaixo quando estranhos eventos vão se enfileirando, apontando para uma maldição secular que pode acabar com a vida de toda a comunidade.

Traǵico, né? Mas temperado com muito humor ácido e algumas referências do gênero terror, O Segredo de Widow’s Bay funciona bem. Esperava mais, é verdade, uma vez que o último terço da série dá uma acelerada contrastante com a construção do clima feita nos dois terços anteriores. Também, sempre mantenho o sarrafo no alto quando se trata da Apple, um dos streamings mais regulares na qualidade de suas produções.

Assim como a atuação de Rhys, temos uma entrega minimalista e magnética do restante do elenco. Ao seu lado, Kate O’Flynn (Landscapers) vive a excêntrica assistente Patricia Moyer, roubando a cena com seu humor peculiar e esquisitice magnética. Também temos o veterano Stephen Root (Barry) entregando momentos hilários e tensos na pele do conspiracionista Wyck Crawford; Dale Dickey (Inverno da Alma) como Rosemary e a veterana K Callan (Lois & Clark) como a secretária Ruth Livingston, que conferem à prefeitura da cidade uma dubiedade cirúrgica. Kevin Carroll (The Leftovers) faz o contraponto ideal como o pragmático Xerife Bechir, e o jovem Kingston Rumi Southwick completa o núcleo principal com segurança na pele do rebelde Evan Loftis. Mas o destaque é Jeff Hiller (Alguém em Algum Lugar) como outro membro do estafe, Dale. Impossível não grudar os olhos nele!

Tem gente que pode cismar com a narrativa fragmentada da série, com duas linhas temporais paralelas, costurando pistas falsas e mantendo o espectador engajado em teorias a cada final de episódio. Vale exaltar a bela fotografia da série, fria, melancólica e dessaturada. Não à toa, terá uma segunda temporada.

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