Crítica | Série | A Agência - Temporada 2

Crítica | Série | A Agência – Temporada 2

Diria que a série A Agência (The Agency, Paramount+) passou abaixo da linha do radar em seu primeiro ano de exibição (2024). Pelo menos para mim, foi uma grata descoberta, lembrando os melhores exemplares de Frederick Forsyth (O Dia do Chacal) ou John le Carré (O Espião Que Sabia Demais). Autores cujas obras literárias inspiraram filmes – bons ou ruins, não importa! – apresentando um mundo da espionagem mais próximo da realidade e bem distante do universo de James Bond.

Sabe aquela coisa do vilão falar demais na hora de apertar o gatilho? Ou aquela engenhoca tecnológica que salva a vida do agente na hora H? Pois bem, nada disso entra em cena em A Agência. Aqui, vemos agentes bem treinados para mentir e dissimular sem mover um músculo do rosto. Capazes de acender uma vela para Deus e outra para o Diabo com a mesma devoção! Como deve ser o mundo geopolítico atual, quando um país aliado trama pelas costas para levar vantagem econômica em algumda negociata escusa…

Os dez episódios da segunda temporada de A Agência expandem o universo de segredos e traições com uma narrativa ainda mais complexa e claustrofóbica. Quem deixar de prestar atenção ou fixar os olhos no detalhe errado vai ficar para trás, com certeza. E ainda dizer que a série tem muito blá-blá-blá. Sim, tem muito falatório porque é assim que as coisas funcionam na realidade. Aquela coisa de um agente sair dando porrada a torto e a direito fica para os filmes de ação. E A Agência tem lá seus momentos de ação gráfica, porém, nada é gratuito.

Voltando ao segundo ano, a trama agora mergulha de cabeça nas consequências das escolhas extremas feitas pelos agentes da inteligência americana na estação de Londres. O agente da CIA Brandon Colby, conhecido pelo codinome Martian (Michael Fassbender, do filme O Assassino), cruzou uma linha perigosa ao aceitar agir como agente duplo para o serviço secreto britânico, o MI6, em troca da libertação do seu grande amor (Jodie Turner-Smith, de Tron: Ares) da prisão. Caminhando no fio da navalha e enganando a todos, Martian precisa manter sua fachada heroica dentro da própria agência enquanto sabota secretamente as operações que deveria proteger.

A tensão atinge o ápice na estação de Londres quando a suspeita de um vazamento interno dá início a uma caçada por um infiltrado. Conforme as investigações avançam, a desconfiança mútua ameaça destruir as dinâmicas de poder e as alianças profissionais. Para piorar a situação, uma nova ameaça global surge com a ascensão da Valhalla, uma corporação mercenária liderada por alguém implacável conhecido como Viking. Sob essa nova pressão, os agentes também precisam lidar com perigosas missões clandestinas em andamento no Irã.

O elenco de veteranos retorna para dar sustentação ao jogo de xadrez geopolítico. O chefe de estação Henry Ogletree (Jeffrey Wright, do filme Ficção Americana) e o comandante James Bosko Bradley (Richard Gere, de Oh, Canadá) lideram o monitoramento das crises e a caça ao traidor, sem suspeitar que o inimigo principal compartilha a mesma sala. Vivendo personagens bem interessantes ainda temos Katherine Waterston (Babylon) como Naomi, uma agente operacional focada na ação no Irã; John Magaro (Vidas Passadas), que vive Owen, um dos analistas técnicos de inteligência da equipe doido para ir a campo; e Saura Lightfoot-Leon (Terra Indomável), vivendo a jovem agente infiltrada Danny.

Diálogos ricos, atuações convincentes e uma trama repleta de boas reviravoltas, contudo, não garantem um final duca. É bom, mas não é sensacional. Por conta da eterna mania de deixar a porta aberta para mais uma temporada. Mas saiba que A Agência, neste exato momento, não tem um terceiro ano confirmado. Nem mesmo seu cancelamento. Vamos ver como fica…

Deixe uma resposta