Quando Bill Pullman veio ao Brasil, em 2016, para divulgar Independence Day: O Ressurgimento, comentou que interpretar o presidente dos Estados Unidos em meio a uma invasão alienígena foi um dos papéis mais divertidos de sua carreira, mesmo depois de ter trabalhado com Mel Brooks em S.O.S. – Tem um Louco Solto no Espaço (1987). Segundo o ator, a oportunidade de viver um presidente enfrentando uma ameaça extraterrestre era algo completamente diferente de tudo o que havia feito até então. Foi justamente a simplicidade da proposta que o convenceu a aceitar o convite do diretor Roland Emmerich.
Na realidade, o roteiro escrito por Roland Emmerich e Dean Devlin atualizou, com os modernos efeitos visuais da década de 1990, o espírito dos inúmeros filmes de invasão alienígena que dominaram os drive-ins norte-americanos entre as décadas de 1950 e 1970, período marcado pela Guerra Fria. A principal referência costuma ser Guerra dos Mundos, baseado no clássico romance de H. G. Wells, que ganhou adaptações cinematográficas marcantes em 1953 e, posteriormente, em 2005, dirigida por Steven Spielberg.
Entretanto, o filme que mais parece ter servido de inspiração para a superprodução de Emmerich e Devlin é A Invasão dos Discos Voadores (1956). Na trama, uma raça de extraterrestres chega à Terra para conquistar o planeta utilizando uma poderosa arma de raios. Graças ao trabalho de um cientista, a humanidade desenvolve uma tecnologia capaz de derrotar os invasores e garantir sua sobrevivência.
Em Independence Day, lançado estrategicamente na semana do feriado da Independência dos Estados Unidos, em 4 de julho de 1996, gigantescas naves, com aproximadamente 25 quilômetros de diâmetro, posicionam-se sobre as principais cidades do planeta antes de iniciar um devastador ataque contra a humanidade. Novamente, cabe à inteligência humana encontrar uma maneira de enfrentar uma força tecnologicamente superior e garantir a sobrevivência da civilização.
É interessante observar que, em 2016, Emmerich e Devlin produziram a sequência Independence Day: O Ressurgimento, imaginando um mundo profundamente transformado após os acontecimentos do primeiro filme. A continuação parte da ideia de que as grandes nações deixariam temporariamente de lado suas disputas territoriais, políticas e ideológicas para enfrentar uma ameaça comum vinda do espaço.
Essa premissa, porém, já havia aparecido décadas antes no episódio Os Arquitetos do Medo, da clássica série Além da Imaginação (The Outer Limits, 1963), no qual cientistas planejam criar artificialmente uma ameaça alienígena para unir a humanidade. A mesma ideia também serviu de base para Watchmen (1986), a consagrada graphic novel criada por Alan Moore e Dave Gibbons para a DC Comics, considerada um dos maiores clássicos da história dos quadrinhos.
Antes que discussões contemporâneas sobre representatividade e inclusão ocupassem espaço central em muitas produções, Independence Day tinha um objetivo bastante simples: ser um grande entretenimento. Era um filme pensado para convencer o público a sair de casa e ir ao cinema por reunir uma boa história, um elenco carismático e efeitos visuais impressionantes. Em 1996, os cinemas também exibiram títulos como Fenômeno, Fargo, Poderosa Afrodite, Os Espíritos, Um Drink no Inferno e o primeiro Missão: Impossível, estrelado por Tom Cruise.
A sequência também procurou ampliar a participação de personagens femininas. Em Independence Day: O Ressurgimento, Sela Ward interpreta a presidente dos Estados Unidos, enquanto Patricia Whitmore (Maika Monroe), filha do ex-presidente Thomas J. Whitmore, segue os passos do pai ao tornar-se piloto da Força Aérea norte-americana. O filme ainda desenvolve a relação entre o Dr. Brakish Okun (Brent Spiner) e seu assistente, Dr. Milton Isaacs (John Storey). Após o ataque sofrido por Okun durante os eventos do primeiro filme, Milton permanece ao seu lado durante os 20 anos em que o cientista permanece em coma, até despertar durante a nova invasão alienígena.
Independence Day permanece como um dos grandes filmes de ação e ficção científica dos anos 1990. Sua história de invasão alienígena conquistou o público graças à escala da produção, aos efeitos especiais inovadores para a época e ao carisma de seu elenco. O famoso discurso do presidente Thomas J. Whitmore, interpretado por Bill Pullman, antes da batalha final, tornou-se um dos momentos mais lembrados do cinema moderno. O próprio ator afirmou, durante sua passagem pelo Brasil, que a cena foi inspirada nos discursos do presidente John F. Kennedy na década de 1960.
Mais do que um discurso patriótico relacionado ao 4 de julho, trata-se de uma mensagem sobre união diante de uma ameaça comum. Sem carregar um viés ideológico explícito, o texto enfatiza que sobreviver é a prioridade daquele momento. Três décadas depois de sua estreia, essas palavras continuam emocionando o público e ajudam a explicar por que Independence Day permanece como um dos grandes clássicos do cinema de entretenimento.
