Crítica | Filme | Homem Aranha: Um Novo Dia

Crítica | Filme | Homem Aranha: Um Novo Dia

Vamos começar com uma informação básica para essa sequência. No filme anterior, Homem-Aranha: Sem Volta para Casa (2021), o herói fez o supremo sacrifício pedindo ao Doutor Estranho (Benedict Cumberbatch) que lançasse um feitiço que fez com que todas as pessoas esquecessem da existência de Peter Parker (Tom Holland) e de que ele era o Homem-Aranha. A ação salvou o mundo, mas condenou Peter a perder toda a vida que havia construído até ali, principalmente a namorada MJ (Zendaya) e o melhor amigo Ned (Jacob Batalon).

E assim, com o passado apagado, o filme se estabelece como um recomeço cinco anos depois. Peter segue dedicado ao trabalho de super-herói. Os novaiorquinos o amam, ele tem uma boa parceria com a polícia na figura da detetive DeWolff (Liza Colón-Zayas). Mas, de resto, sua vida é o vazio típico dos workaholics, sem o sucesso financeiro para acompanhar. Fora da luta contra o crime, seu único interesse é levar flores ao túmulo da tia e observar de longe a nova vida de MJ e o – horror – novo namorado – e Ned, agora graduados no MIT e iniciando a vida profissional.

É nesse cenário que surge a nova ameaça, alguém que tem o poder de invadir corpos e ataca o departamento de Controle de Danos, dirigido pelo afável Bill Metzger (Tramell Tillman). Mais um criminoso para o Homem Aranha capturar, empacotar em teia e entregar às autoridades. Ou assim parece.

Dirigido por Destin Daniel Cretton (Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis), Um Novo Dia é claramente um filme que busca mostrar como Peter Parker deixa de ser um garoto e inicia a fase adulta. Holland está batendo os trinta anos, então é natural que, mesmo mantendo um certo tom de ansiedade e assombro no olhar e na voz de Peter, ele tenha de buscar uma atitude mais madura para um personagem que carrega tantas perdas e o corte dos sonhos que tinha para o futuro.

Ainda assim, mesmo com toda a angústia e conversa sobre solidão e o peso que fazer o certo traz, Um Novo Dia é um filme de super-herói. Então, não faltam cenas vertiginosas, ângulos invertidos e viagens pelas ruas de Nova York a bordo de um fiapo de teia, o pôr do sol que só os dotados de superpoderes podem enxergar no paliteiro de edifícios da grande metrópole e muitos efeitos especiais de qualidade, com apenas um ou dois momentos em que o público consegue perceber que Holland foi substituído por uma figura digital.   

Também por ser um filme de franquia, não faltam participações especiais com coadjuvantes de luxo. Peter busca ajuda com o Dr. Bruce Banner (Mark Ruffalo), informações com a Viúva Negra (Florence Pugh) e interage com seu sistema de computação (voz de Naomi Watts). Ele também forma uma dupla estilo água e óleo com Frank Castle (Jon Bernthal), o Justiceiro sempre pronto a resolver problemas a tiros em contraponto à abordagem humanista do Homem-Aranha.

O resultado é uma boa soma de uma abordagem adulta do personagem com momentos divertidos, como o encontro na piscina com a Viúva Negra e cenas de ação, com destaque para o ataque ao Centro de Controle de Danos e a participação dos ninjas, em um momento dando muita pista de ter se inspirado nos ataques em câmera lenta de 300. E depois de conquistar o público em Stranger Things, Sadie Sink está bem como a antagonista e personagem surpresa da história que mostra que nem tudo é o que parece à primeira vista. Em resumo, uma boa experiência, sólida e que agrada os fãs do gênero.

O que isso significa para Vingadores: Doutor Destino, ainda é uma incógnita, mas após trancos e barrancos, não é aqui que o Universo Marvel vai encontrar seu fim.

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