Um mundo de certezas absolutas não existe. Ao menos para quem tem e usa o bom senso. Quando não rolou cabine de imprensa para Mestres do Universo já fiquei desconfiado. Depois que testemunhei uma campanha de divulgação maciça, inclusive com a presença de parte do elenco no Brasil, o cheiro ruim aumentou.
E sabe aquela barra forçada de fazer os caras aprenderem uma ou duas palavras do português, experimentarem comidas típicas e “revelarem” o quanto amam o povo brasileiro? Isso serve exatamente para o quê? Só marketing? Enjamento? Visualizações?
Lamento, nada disso é capaz de melhorar a qualidade de um filme. Que agora chega ao Prime. Se você foi sábio e esperou pela estreia de Mestres do Universo no streaming, parabéns! Não precisou pagar ingresso (apenas se assinante do serviço, claro!).
A experiência em uma sala de cinema até pode amplificar uma produção, mas não põe Humpty Dumpty together again…
Bem, adaptação live-action para série em desenho animado baseada em brinquedo da Mattel é outra coisa que não é unânime. Não é todo dia que temos um Barbie ultrapassando US$ 1 bilhão de bilheteira. O universo de He-Man fez sucesso na TV aberta, inspirou canções, fantasias e uma porrada de piadas. Será que isso garantiu o live-action?
Garantiu basicamente a curiosidade dos fãs (agora empilhando décadas de vivência) e talvez de uma galera que “já ouviu falar, mas nunca assistiu”. E desconfio que, para ambos os perfis, trata-se de um filme one way, sem direito a repetição.
Sim, são trocentas complicações para dar vida ao herói de Etérnia. Desde escalar um cara fortão (para não fazê-lo usar um traje musculoso ou CGI) e que ainda saiba interpretar, até superar o Esqueleto do Frank Langella na versão de 1987. Aliás, estrelada pelo genuinamente fortão Dolph Lundgren, que até faz ponta no novo filme.
Mas usando o cérebro acho que dá pra fazer algo bacana (novamente, vide Barbie). Não foi o caso de Mestres do Universo. A ideia parecia ser rebootar (sempre!) a história para, quem sabe, abrir uma franquia. Por sinal, tem uma penca de brinquedo Mattel anunciada há quase dois anos para virar filme ou série… Mas vamos lá: o príncipe Adam foge com a espada de Grayskull para a Terra para impedir que Esqueleto se apossasse dela. Quinze anos depois, já cheio de whey, Adam consegue retornar para Etérnia para reclamar o trono e salvar a pátria. Agora ajudado por muitos coadjuvantes.
No elenco estão: Nicholas Galitzine (Adam), Jared Leto (Esqueleto), Camila Mendes (Teela), Idris Elba (Mentor), Kristen Wiig (dublando Roboto), James Purefoy e Morena Baccarin, entre outros.
Existem cenas pós-créditos a contento, prenunciando spin-offs. Tem ação e muito humor de entrelinhas. Talvez longo demais. E se você acha que eu não gosto do personagem, venha aqui em casa para ver as compilações de He-Man e She-Ra que eu tenho. Ainda no plástico, tamanho o respeito!
