Crítica | Filme | Enola Holmes 3

Crítica | Filme | Enola Holmes 3

Enola Holmes 3 estreou globalmente na Netflix em 1º de julho de 2026. Diferentemente das duas produções anteriores, ambientadas na Inglaterra do século XIX, o terceiro longa da franquia se passa em Malta, no ano de 1886. Entre as principais mudanças da produção, duas chamaram atenção: a troca do diretor e do diretor de fotografia.

Isso ocorreu porque Harry Bradbeer, responsável pela direção dos dois primeiros filmes, deixou o projeto. Para substituí-lo, a produção escolheu Philip Barantini. A justificativa para a mudança foi a busca por um olhar mais maduro, sombrio e voltado ao suspense, características marcantes do trabalho do cineasta. Já Matthew Lewis assumiu a direção de fotografia com a missão de promover uma renovação no estilo visual da obra.

O primeiro filme da franquia estreou em 2020, enquanto Enola Holmes 2 chegou ao catálogo em novembro de 2022. Somente em julho de 2026 o público recebeu o terceiro capítulo da série. Como o intervalo entre os lançamentos, especialmente entre o segundo e o terceiro filme, foi longo, torna-se necessário um resumo dos acontecimentos anteriores para reinserir o espectador nesse universo. Ainda assim, a audiência inicial de 20,7 milhões de visualizações nos cinco primeiros dias de estreia parece indicar que a produção dependeu mais da boa vontade do público do que conseguiu, de fato, engajar os espectadores.

Embora o terceiro filme tenha liderado o Top 10 global da Netflix apenas durante sua semana de estreia, o resultado ficou abaixo do desempenho histórico da franquia. Para efeito de comparação, o primeiro longa alcançou 76 milhões de visualizações, enquanto o segundo registrou 64,08 milhões no mesmo período, segundo dados divulgados pela plataforma. Esse cenário ocorreu mesmo com um elenco repleto de nomes conhecidos de Hollywood, como Millie Bobby Brown (Stranger Things) no papel de Enola Holmes, Louis Partridge (A Casa Guinness) como Tewkesbury, Henry Cavill (Na Zona Cinzenta) como Sherlock Holmes, Helena Bonham Carter (Enola Holmes) como Eudoria Holmes e Sharon Duncan-Brewster (Washington Black) como Mira Troy.

No roteiro, existem algumas lacunas que comprometem a narrativa. A principal delas talvez seja a falta de uma justificativa clara e convincente para que Sherlock estivesse conduzindo uma investigação em segredo da própria irmã. A trama acompanha Enola tentando descobrir o que o irmão investigava para, somente depois, iniciar sua busca por ele, desaparecido justamente no dia de seu casamento com Tewkesbury. Esse conflito dificilmente existiria se Sherlock tivesse compartilhado ao menos parte das informações com a protagonista. Como o roteiro depende desse segredo para mover a história, parte da construção dramática acaba soando artificial.

Contudo, elementos característicos da franquia, como a quebra da quarta parede, foram preservados. Desta vez, porém, esse recurso é utilizado com frequência excessiva e, em determinados momentos, parece deslocado da narrativa. O resultado é um desgaste de algumas cenas e uma perda de ritmo. A proposta original de aproximar Enola do público continua funcionando em determinados momentos, mas o excesso faz com que o filme, por vezes, se assemelhe mais a um vlog da protagonista do que a uma história de investigação.

Enola Holmes 3 é uma produção da Legendary Entertainment em parceria com a PCMA Productions, distribuída mundialmente pela Netflix, e já está disponível no catálogo da plataforma. Para quem procura uma aventura leve, com mistério e humor, o longa pode ser uma opção interessante. No entanto, dentro do próprio gênero investigativo, existem produções mais consistentes tanto em desenvolvimento narrativo quanto na construção do suspense.

Deixe uma resposta