Com estreia agendada nos cinemas brasileiros para o dia 13/8, o documentário Honestino, dirigido por Aurélio Michiles e distribuído pela Pandora Filmes, lança uma luz necessária sobre um dos capítulos mais dolorosos e emblemáticos da história recente do Brasil.
O longa reconstitui a trajetória de Honestino Guimarães, líder estudantil da geração de 1968, ex-presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE) e aluno da Universidade de Brasília (UnB), sequestrado e desaparecido em 1973, aos 26 anos, durante o regime militar. A ideia é transcender o mero resgate biográfico para se consolidar como um manifesto sobre memória, justiça e os reflexos do arbítrio estatal.
Construído a partir de uma linguagem híbrida que entrelaça documentário e ficção, o filme estrutura sua narrativa por meio de um rico acervo de cartas, poemas e imagens de arquivo. A dimensão afetiva e política é sustentada por depoimentos de familiares, amigos e companheiros de militância, como Almino Afonso, Jorge Bodanzky, Franklin Martins e a biógrafa Betty Almeida.
Para estreitar a ponte com o público contemporâneo, a produção conta com a condução do ator Bruno Gagliasso, que interpreta Honestino nas cenas “reconstruídas”, para dar corpo e presença física às lacunas deixadas pelo apagamento forçado da ditadura.
Destaque-se a capacidade de equilibrar rigor histórico e invenção estética. Às vésperas de mais uma eleição presidencial, em tempos onde até vacina de sarampo é negada, vale a pena pelo menos ter um pouco de interesse sobre o assunto. Claro que isso não é para qualquer um, infelizmente.
