Crítica | Filme | Minha Filha É uma Zumbi

Crítica | Filme | Minha Filha É uma Zumbi

Os coreanos conseguiram de novo. Depois de Invasão Zumbi (2016) e Kingdom (2019), o país asiático volta ao tema da praga zumbi e gera uma produção que sai do óbvio do gênero mesclando questões familiares, relacionamentos e toques de comédia.

Como muitos filmes e séries coreanos nos últimos anos, Minha Filha é uma Zumbi é uma adaptação de um manhwa (quadrinho coreano). Escrito e ilustrado por Lee Yun chang, Minha Filha É uma Zumbi foi publicado como webtoon entre 2018 e 2020. O longa-metragem, na verdade, é a segunda adaptação, a primeira uma versão animada lançada em 2022.

A história começa em Seul, onde Lee Jung hwan (Jo Jung suk, Reino da Conquista) trabalha como tratador no zoológico e cria a filha adolescente Soo ah (Choi Yoo ri, Alienoide). O paralelo entre cuidar de um tigre rabugento no trabalho e de uma garota na fase do “pai, não me envergonha” em casa não é gratuito. Nos dois relacionamentos, Lee Jung hwan dá o máximo para receber o mínimo e ainda assim não perde o entusiasmo, características essenciais para seu lugar na narrativa. No dia zero, encontramos Soo ah ensaiando uma coreografia de k-pop e o pai tentando agradar a filha no aniversário de 15 anos dela. É quando surge a epidemia que transforma as pessoas em zumbis devoradores de gente. Em meio ao pânico geral, pai e filha decidem fugir para a casa da mãe de Lee Jung hwan no interior. O problema é que, como diz o título do filme, Soo ah é mordida e se torna ela também uma zumbi.

É nesse ponto que o filme diverge de outros do gênero, e o impulso deixa de ser uma fuga para escapar dos zumbis e se torna a corrida de um pai para salvar a filha. Lee Jung hwan está certo de que sua garotinha segue viva e com a ajuda da mãe (Lee Jeong eun, Parasita) e do amigo Cho Dong bae (Yoon Kyung ho, Heróis de Plantão), investe toda a energia em proteger Soo ah acreditando que ela pode vencer o vírus. Nesse ponto, a epidemia zumbi se move para o fundo da história, aparecendo em noticiários na TV, enquanto o foco se volta para o relacionamento entre pai e filha e entre Lee Jung hwan e seus apoiadores, a mãe e o amigo. Para complicar, o primeiro amor de Lee Jung hwan, Shin Yeon hwa (Cho Yeo Jeong, Made in Korea), ressurge, agora como uma professora raivosa e ao mesmo tempo engraçada, e segredos do passado são revelados, incluindo algumas surpresas que dão uma nova camada aos personagens.

O resultado é um filme divertido e ao mesmo tempo sentimental, em que os zumbis são apenas o ponto de partida para algo mais valioso, mas examinado e mostrado com leveza, uma boa direção de câmera e um gato endiabrado com um papel coadjuvante inesquecível. Jo Jung suk mostra um bom timing para comédia e também a doçura e coragem de um pai dedicado, enquanto Lee Jeong eun assume como a típica idosa coreana que bota ordem em casa, amada e temida em doses igualmente cavalares até pela neta com o cérebro afetado pelo vírus.

Um passeio que vale a pena.

Minha Filha É uma Zumbi estreia dia 3 de setembro em cópias dubladas e legendadas.

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