Eu já havia gostado bastante do longa-metragem Magnatas do Crime (The Gentleman, 2019), um exemplo bem afiado do talento de Guy Ritchie para escrever e dirigir. Mesmo que um filme como Na Zona Cinzenta não magnifique esse talento, sempre é bom lembrar dos seus vários acertos. Tipo Snatch, Guerra Sem Regras e até Sherlock Holmes. Sem querer defecar regras, mas sempre o comparei ao Quentin Tarantino no que diz respeito ao que ele deseja mostrar em tela ao espectador.
Hoje, telinha, cada vez mais. Sem probremas, imagino que os fãs nem se importem com isso.
Voltando a Magnatas do Crime, deixei passar em branco primeira temporada. Não consegui avançar frente outras demandas. E como o estilo Guy Ritchie envolve diálogos bem trabalhados, rápidos e repleto de informações, não dá para assistir sem um mínimo de atenção.
Com a chegada da segunda temporada retomei o projeto. O veredito é que vale a pena dar uma conferida, mas com ressalvas.
Não se trata de um legítimo spin-off, mas conserva elementos do longa: a nobreza britânica falida, a organização criminosa, as plantaçṍes de cannabis, cenas de violência meio surreais… Enfim, isso é Guy Ritchie. Que, além de criar a série, escreveu e dirigiu a maioria dos oito episódios. Dá para reconhecer quais, inclusive.
Contudo, se a primeira temporada tratou mais de apresentar esse universo ao espectador, temperando a história com humor, apesar de tudo que rola, o segundo ano caminhou para o lado sombrio dos personagens.
O de Theo James (Eddie), por exemplo, mostra um lado mais criminal, mais perigoso, capaz até mesmo de questionar se deve ter Susie Glass (Kaya Scodelario) ao seu lado. O pai dela, Bobby Glass (Ray Winstone), então, entrou definitivamente na lista de desafetos do capitão. Que agora mira a nobreza inglesa para si próprio, almejando projeção dos seus negócios “recreativos” para outros territórios.
Esses territórios, aliás, conferem belíssimas imagens em locações de encher os olhos. Sim, o crime compensa e, pelo menos aqui, é elegante, lindo e bem vestido. Nada que impeça uma ou outra mancha de sangue espirrando de uma cabeça “ventilada”…
Talvez toda essa seriedade da segunda temporada de Magnatas do Crime conduza a um terceiro ano ainda mais sombrio, cada vez mais distante do Guy Ritchie da gema. Pode ser uma boa porque, como sabem, mais do mesmo enjoa.
