Sempre gostei de revisitar textos publicado no CriCríticos há algum tempo, para buscar evolução ou reciclagem na crítica. Independentemente do conteúdo texto, o conteúdo filme é pra lá de importante para quem não despreza História. Se você tem a mente aberta para isso, fica a dica.
Durante os anos 80, um grupo de opositores ao governo ditatorial de Augusto Pinochet no Chile, busca alternativas para derrubar a ditadura que já dura 15 anos. Esse grupo, formado por homens e mulheres, acredita que só pode derrubar Pinochet através de um meio muito arriscado: matando-o.
No contexto histórico mundial, esse tipo de plano era, de certa forma, comum. Principalmente partindo de grupos com viés revolucionário. Considerando que o século XX foi tomado por golpes de Estado – só no Brasil foram 4 deles (1930, 1937, 1945 e 1964) -, a motivação do longa se faz justa e adequada.
Baseado em fatos reais
Já em relação ao desenvolvimento, no entanto, encontramos alguns problemas típicos. A estrutura, que mistura passado e presente, deixa o clima do filme um pouco confuso, porém, destaca-se a direção de Juan Ignacio Sabatini em optar experimentar esse tipo de caminho.
Baseado em fatos reais, Morte a Pinochet também se atrapalha na construção de um cânone de gênero. Ou seja, o filme se perde em meio a diversas classificações, indo do suspense ao thriller sem que haja uma abordagem padrão – embora sempre mantenha as suas bases no drama.
Grandiosidade técnica
Embora Ramiro (Cristián Carvajal) e Tamara (Daniela Ramírez) estejam postos na expectativa em torno do evento principal – o atentado contra Pinochet -, o roteiro consegue ser eficaz em criar tensões que poderiam vir a ser um impedimento do objetivo central. Até que tudo caminhe no rumo certo, o filme se destaca pelo uso certeiro de alguns ganchos apoiados pela realidade.
As cenas de conflito e repressão causam um embrulho no estômago. Nesta hora, percebemos que uma das veias narrativas do longa é também demonstrar o horror causado pelo fascismo no Chile. São cortes bruscos, tomadas pixeladas e gravações antigas que revelam uma época tenebrosa de se recordar.
E quando chega a hora, não há decepções quanto ao estilo e a tática usada pela produção em gerar um embate. Bem no padrão de Hollywood, o ataque a Pinochet é extremamente bem construído: tiros, gritos, bombas e uma fotografia ensolarada fazem a vez do momento mais aguardado de todos.
Em seguida, a direção também acerta em mostrar – sem censura – as consequências sofridas pelo grupo em decorrência deste ato em busca da liberdade. A tortura e outras formas desprezíveis de agressão são mostradas sem pudor. O que assusta, considerando o realismo de tais imagens exibidas em tela.
Morte a Pinochet consegue efetivamente cumprir com a sua ideia inicial. Falha, contudo, por não se aprofundar nos temas que vão surgindo ao longo do drama, que soa disperso até chegar ao momento mais importante. A mensagem final, que é agridoce, tanto por dar certo quanto por dar errado, é um completo desafio ao espectador. O filme estreia em 16 de fevereiro distribuído pela A2 Filmes.
